Acordamos de madrugada com uma ventania assustadora, fortes rajadas de vento fazendo muito barulho na vegetação e nas nossas barracas. Acordamos rápido pensando ser uma tempestade, mas o céu estava claro e limpo. Eram quase 6 horas da manhã e já que despertamos, aproveitamos para recolher o acampamento e partir, ainda escuro. Tomamos um café rápido que nossa amiga da Argentina nos ofereceu e comemos pão puro que compramos em Calafate. Esperamos mais alguns minutos para ter a certeza que não era uma tempestade e iniciamos a jornada de 31 km deste dia. Não podíamos sequer imagina as rajadas de vento que teríamos que enfrentar alguns quilômetros adiante. Caminhamos cerca de 5 km até uma subida muito íngreme chegando ao final do Lago Paine, o vento era muito forte, mal conseguíamos nos manter de pé, até fotografar era muito difícil porque junto como vento vinha uma chuva fina e gelada. A nossa frente nuvens negras cobriam as montanhas e uma longa “mancha” branca de chuva crescia cada vez mais, e era exatamente para lá que estávamos indo.

O dia anterior já havia sido fisicamente muito desgastante, as massas de preparo rápido e atum não contêm todos nutrientes necessários para repor tamanho esforço despendido, o resultado não podia ser diferente, chegando ao acampamento Dickson à fome era tanta que meu estômago parecia querer “pronunciar algumas palavras”, então, aproveitei a oportunidade para saber se estavam servindo almoço naquele local, a resposta tirou um grande sorriso de alívio do meu rosto. Estavam servindo um prato chamado “poroto” (feijão branco, massa, pedaços de salsicha, moranga, legumes e temperos) e o valor da refeição era $ 17,00 (dólares). Não tive a menor dúvida, exclamei: Manda um Poroto pra cá! E pra melhorar ainda mais o almoço “muy rico” no Dickson serviram um “postre” (sobremesa) com algumas frutas que foi um verdadeiro espetáculo.

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Almoço no acampamento Dickson.

Bueno! Muito bem alimentado, apetrechos alinhados, é hora de partir para mais 12 km de caminhada até o acampamento Los Perros, o trajeto que estava por vir seria um dos mais belos do circuito “O”. A trilha serpenteava por belíssimos bosques e vales que só não apreciamos mais e não tiramos mais fotos por causa do vento e da chuva forte, no entanto, aproveitamos muito bem a passagem pelo local que guardava, em minha opinião, as melhores trilhas da aventura. Ao chegar numa ponte indicando o acampamento Los Perros uma hora à frente, o cansaço já começava dar sinais da sua presença, desconforto para carregar a mochila, dor nos pés, tudo molhado e úmido, mas tudo isso foi esquecido quando avistamos o glaciar Los Perros, uma visão fantástica do paredão de gelo azul à nossa frente, nesse momento já não chovia mais, mas o frio estava aumentando, assim, pelo menos, conseguimos tirar algumas fotos e curtir um pouco o lugar.

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Lago e Glaciar Los Perros.

Após sair da trilha no bosque, passamos por pequeno trecho formado por pedras onde a trilha não se mostrava muito clara, porém, seguimos por algumas marcações na cor vermelha nas pedras e algumas fitas amarradas em alguns galhos, e iniciamos aquele que seria a última subida rumo ao vendaval que havia antes da chegada ao acampamento Los Perros. Ao final da subida, nos deparamos de frente com o Lago e o Glaciar Los Perros, uma linda visão e um local para parar e apreciar, porém, o vento ali chegava tirar o equilíbrio do vivente, aí tiramos uma ou duas fotos e seguimos em diante. Novamente a trilha não estava clara para nós, no entanto, logo à frente encontramos um “guarda-parques” dizendo que o acampamento estava a menos de 5 minutos. Pronto, chegamos a Los Perros, mas o frio nas mãos era tanto que não consegui assinar o livro registro do acampamento. Montamos logo o acampamento e tratamos de colocar roupas quentes, em seguida preparamos nosso jantar, a polenta que o Paulo levou com um salame comprado ali mesmo. Aproveitamos o gerador de energia do acampamento para recarregar as baterias. Hora de lembrar-se de algumas pessoas especiais que estavam nos meus pensamentos. Fomos dormir cedo novamente, pois o dia foi desgastante. Mal podíamos imaginar a surpresa que viria na madrugada que estava pela frente.

Transcrição do diário da viagem por: Cristiano da Cruz e Paulo Adair Manjabosco

Data do Relato: 15 a 30/03/2014

Texto e Fotos: Cristiano Da Cruz

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Contato: www.indiadabuena.com.br

 

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