O frio pode complicar as coisas. A dica é: vá bem preparado para o frio intenso em qualquer época do ano. Neste dia acordamos cedo, o vento lá fora continuava gelado, preparamos um café bem quente com leite condensado que é extremamente doce e faz o papel da mistura que seria com leite em pó, além disso, essa mistura é bastante calórica e energética. E o vento gelado soprava forte, há relatos que no inverno as temperaturas no alto da Pedra da Mina podem atingir até -10° centígrados. Tiramos mais algumas fotos do nascer do sol que aliás, foi novamente espetacular (dessa vez o nascer do sol foi atrás do Pico das Agulhas Negras no Parque Nacional do Itatiaia/RJ), fomos assinar o livro que fica numa caixa de metal fixado numa pedra no ponto mais alto, tiramos fotos lá também e partimos para o terceiro dia de travessia.

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Nascer do sol na Pedra da Mina

A descida da Pedra da Mina é uma caminhada íngreme sobre a rocha, é preciso ter cuidado na descida, em primeiro lugar pelo terreno que é muito acidentado e em segundo lugar porque os primeiros movimentos do dia ainda não são os mais eficientes. Neste momento o estoque de água já está ficando num nível perigoso, é preciso reabastecer, mas o próximo destino é o Vale do Ruah e na travessia deste trecho certamente encontraremos água. Na descida da Pedra da Mina é possível ter um panorama geral de todo Vale do Ruah, visto lá de cima parece um enorme gramado. Grande ilusão de ótica. Ao chegar no Vale do Ruah nos deparemos com tosseiras de capim de mais de 2 metros de altura onde é preciso muito cuidado ao atravessar, pois em muitos pontos a trilha simplesmente desaparece e existem buracos onde a gente também desaparece no meio do capim, sem falar que os movimentos não devem ser muito bruscos nesse trecho, pois o capim também é cortante.

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Topo da Pedra da Mina 2.798 metros

Bem no meio da travessia do Vale do Ruah encontramos a tão esperada água, um riacho que passa pelo meio das tosseiras com água muito limpa e gelada. Obviamente que neste ponto enchemos todos os reservatórios de água possíveis e enchemos também nossa “pança” com muita água, afinal, esse tipo de fartura na travessia da Serra Fina deve ser muito bem aproveitado. O trajeto do Vale do Ruah é um dos pontos altos da travessia, caminhamos por cerca de 1,5 horas por entre aquele capinzal alto, uma doideira total, o Paulo fez uma filmagem de cerca de 15 minutos com a GoPro para tentar mostrar o nível de dificuldade do trecho. Ali é muito fácil se perder e ficar andando em círculos, é preciso muita atenção e olhar no horizonte para continuar seguindo na trilha certa. A dica é ir de encontro ao Riacho que atravessa o vale e seguir pelas margens do mesmo até uma pequena montanha que fica à direita do riacho sentido Leste, ao subir nessa montanha pela trilha é possível visualizar todo Vale do Ruah e a Pedra da Mina que ficaram pra trás.

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Travessia do Vale do Ruah

Seguimos rumo ao Pico dos Três Estados, objetivo do dia, a caminhada segue pela Crista das montanhas logo após sair do Vale do Ruah. A Montanha à direita do Pico dos Três Estados é conhecida como Cupim de Boi pelo seu formato, é pra lá que nós vamos. A subida do Pico dos Três estados também é íngreme mas mais curta em relação à Pedra da Mina, subimos tranquilamente. Do Pico dos Três Estados conseguimos ver todo trajeto feito naquele dia e o Pico das Agulhas Negras logo atrás, à Leste. O melhor por do sol de todos os dias de travessia estava à nossa espera. Foi Sensacional!

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Pôr do sol no Pico dos Três Estados

Data do relato: 23 a 26/08/2013

Texto e Fotos: Cristiano Da Cruz

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Contato: www.indiadabuena.com.br

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